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Será que o ensino apostilado é tão ruim mesmo?

Será que o ensino apostilado é tão ruim mesmo?

Nos últimos dois anos, resolvi fazer algo que não tive na minha adolescência: matrícula em uma escola de Inglês. Chegando lá, encontrei uma apostila e um professor que deve nos ajudar a completá-la. E... Sabe o que é “pior”? Não tem sido uma experiência tão ruim quanto pode parecer para alguns.

Quando falamos em sistema apostilado, a primeira cena que uma pessoa imagina é o professor começando a aula com a frase: “Abram as apostilas na página 20 e façam as atividades. Vamos corrigir depois”. 

Porém, cada vez mais percebo que uma cena como essa diz mais sobre o professor do que sobre os sistemas apostilados em si. Nenhuma apostila impede que o professor relacione qualquer conceito com a vida real, nem que “interrompa” o trabalho com a apostila para um vídeo, debate, jogo ou simplesmente para falar da vida.

Claro que não podemos ignorar a pressão, principalmente nas escolas particulares, para que todo material comprado seja utilizado o máximo possível, mas é aí que entra a chave de tudo: O professor precisa ser dinâmico, saber quando e quanto correr em um assunto, entender o ritmo da sala e, principalmente, compartilhar com os estudantes a responsabilidade de “dar conta de todo o material”.

Cabe também aqui uma crítica sobre algumas secretarias municipais e estaduais que tentam construir sistemas apostilados para suas redes. Infelizmente, como a educação brasileira tem um caráter de política de governo, e não de Estado (como deveria ser), se determinado prefeito cria uma apostila para sua rede, é quase certo que o próximo prefeito derrube o material e queira criar o seu próprio.

Com isso, geralmente, o professor tem pouco tempo para se apropriar do seu material de trabalho e também não vê continuidade dada toda a questão política. E é principalmente por essa razão que as apostilas têm fracassado no ensino público.

Enfim, minha experiência como aluno de sistema apostilado tem mostrado uma coisa: dado um mundo tão complexo como o que vivemos, ter uma trilha a ser seguida em meio ao caos parece ser o mínimo conforto necessário para a construção de qualquer coisa. 

 


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Camadas Educacionais
José Victor Castro
José Victor Castro Seguir

Professor de matemática na Prefeitura de São Paulo e graduado em Educomunicacão.

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