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Rotação por estações: utilizando o celular em sala de aula

Rotação por estações: utilizando o celular em sala de aula

 

Chegamos ao quarto e último texto da série introdutória sobre Ensino Híbrido. No primeiro artigo, expliquei o conceito e listei os diversos modelos de aplicação desta estratégia. Selecionei três destes modelos para detalhar nas publicações seguintes: a Sala de aula invertida, tema do segundo texto; o Laboratório rotacional, terceiro; e o modelo de Rotação por estações, que é o assunto deste.

A ideia da série surgiu com a possibilidade, ainda incerta, do retorno às atividades presenciais nas escolas, com uma quantidade reduzida de alunos, em um regime semipresencial. O objetivo era apresentar (ou reforçar) conceitos sobre o uso de tecnologias como mediadoras de parte do processo educacional.

Compreendendo algumas possibilidades de uso da tecnologia educacional, o educador pode planejar suas aulas semipresenciais com maior autonomia. Depois de atravessarmos este período de isolamento, o aprendizado dessa experiência de ensino remoto e semipresencial servirá de base para ampliar o uso efetivo do digital na Educação.

 

O que é o modelo de Rotação por estações

A Rotação por estações faz parte dos modelos de rotação do Ensino Híbrido, em que os alunos revezam-se em grupos ou individualmente em tarefas predeterminadas pelo professor durante uma mesma aula ou em encontros diversos.

No modelo de Rotação por estações, o professor planeja duas ou mais atividades complementares e independentes, que serão realizadas no mesma sala de aula, porém em estações separadas. A turma deve ser dividida em grupos (um para cada atividade) que trocam de estação após determinado tempo.

Cada atividade deve ter começo, meio e fim independente das outras, de modo a ser finalizada dentro do tempo proposto (entre 5 e 20 minutos). É interessante que pelo menos uma das estações utilize a tecnologia como mediadora do processo.

Veja um exemplo do modelo de Rotação por estações no vídeo do CIEB (Centro de Inovação para a Educação Básica), uma das principais referências no tema de tecnologia educacional:

 

 

Os benefícios deste modelo

Assim como no Laboratório rotacional, o modelo de Rotação por estações divide a turma em grupos menores, permitindo ao professor dar um atendimento mais próximo aos alunos. Por exemplo, em uma turma com trinta alunos, enquanto vinte fazem outras atividades, o educador pode dedicar o tempo a tirar dúvidas, dar feedbacks ou orientar projetos de apenas dez estudantes.

Esta proximidade otimiza a atuação do professor e permite maior participação dos alunos. O docente passa a ter melhores condições de entender a situação singular de cada aluno em seu aprendizado, abrindo a possibilidade para a personalização do ensino.

A realização de múltiplas atividades na mesma aula traz o benefício de torná-la mais dinâmica, intercalando o uso de habilidades distintas e propiciando a concentração dos alunos.

Neste modelo, as tais estações são organizadas no espaço da sala de aula, por isso é necessário que os dispositivos tecnológicos utilizados sejam móveis, como tablets, notebooks ou chromebooks. Sei que nem todas as escolas possuem estes recursos. A minha sugestão é aproveitar para utilizar os celulares dos alunos.

Há uma discussão interminável sobre o uso dos telefones celulares dos alunos no processo educativo. É fato que boa parte dos jovens possuem o dispositivo e já utilizam nos estudos. Porém, todas as escolas têm tido dificuldade para disputar com as telas a atenção dos alunos.

Eu acredito que a proibição do aparelho não seja o melhor caminho, pois assim perdemos um aliado de muito potencial. Além disso, proibir o uso só resolve a situação em sala de aula de maneira pontual e não permite ao aluno desenvolver um autocontrole mais consciente e reflexivo sobre o uso excessivo de tecnologias digitais.

 

Algumas dicas para colocar em prática

A primeira dica para aplicar o modelo de Rotação por estações é organizar o ambiente de modo a dividir fisicamente o espaço da sala de aula. O professor pode arrumar as carteiras que servirão de base para as estações.

Para otimizar o tempo e trabalhar a autonomia dos alunos, as instruções para a atividade de cada estação podem ser entregues em formato de checklist. Assim, os estudantes podem controlar seu progresso e fazer a gestão do tempo na realização das tarefas.

Pela minha experiência, considerando o tempo de aula padrão de 50 minutos, considero que três estações é o número ideal. Assim, o educador aproveita o tempo disponível, que permitiria três atividades de cerca de 10 a 15 minutos, mantendo a possibilidade de variar os tipos de tarefas.

O professor pode propor nesta situação as seguintes sugestões de estações:

  1. Atividade com mediação do professor: tirar dúvidas, dar feedbacks, orientar projetos.

  2. Produção colaborativa: discussão, construção de painéis digitais ou físicos, estudos de caso.

  3. Exploração ou produção individual (mediada por tecnologia): questionários, investigação utilizando Apps, conteúdo digital.

 

Caso a escola possua dispositivos móveis para uso dos alunos e professores, é importante conhecer as configurações técnicas e as restrições para instalação de novos softwares. Neste momento, o profissional de tecnologia educacional será um parceiro e pode, inclusive, colaborar no momento da aula.

Se a escolha for por utilizar os telefones celulares, é essencial fazer um levantamento com os alunos dos dispositivos disponíveis. Identificar quem possui celular e poderia utilizar durante a atividade. Outra questão importante é a internet, pois nem todos os usuários de celular possuem um plano de dados móveis suficiente para determinadas atividades. Pode-se ver com a escola a possibilidade de utilização do wifi.

A última dica diz respeito à logística de preparação dos Apps que serão utilizados: solicite que os alunos realizem a instalação antes da aula. Uma boa comunicação com os estudantes e com os pais (especialmente no caso dos mais novos) faz a diferença na preparação. A Agenda Digital da Layers Education é um ótimo recurso para garantir a qualidade na comunicação escolar.

 

Sugestões de recursos tecnológicos

Para finalizar esse texto, vou dar algumas sugestões de recursos tecnológicos que podem ser utilizados no modelo de Rotação por estações:

 

1) Aplicativos educacionais

Há diversos Apps de modelos científicos digitais, laboratórios virtuais, programação e estudo de línguas. O Google Earth (ou Maps) e o Google Arts & Culture permitem a exploração de lugares pela tela do celular. Funcionam muito bem em aulas de História, Geografia, Artes e Biologia.

Procure na internet aplicativos educacionais para os temas que serão tratados na sua aula. Vou deixar o link para dois artigos do Porvir sobre o tema (texto 1 e texto 2).

 

2) QR code

O QR code é um recurso cada vez mais utilizado para facilitar o acesso a informações e até mesmo como meio de pagamento. O professor pode utilizar esta tecnologia para direcionar os alunos aos sites, documentos, vídeos ou qualquer conteúdo online.

Existem sites geradores de QR code gratuitos, como o QR Code Generator, no qual você insere o link e pode baixar a imagem do código. Os celulares mais modernos são capazes de ler o código direto do aplicativo da câmera. Se não for o caso dos seus dispositivos, os alunos podem baixar um aplicativo que tenha esta funcionalidade, há diversas opções.

 

Foto por insung yoon em Unsplash

 


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Camadas Educacionais
Henrique Uyeda do Amaral
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Henrique Uyeda do Amaral é escritor e educomunicador. Responsável pela gestão e produção de conteúdo no blog-comunidade. Especialista em educação e tecnologia, já atuou como educador, formador de professores, autor de material didático e mais.

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