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Resoluções de ano novo da Educação para 2021

Resoluções de ano novo da Educação para 2021

A pandemia do coronavírus obrigou as escolas a fecharem as portas, adaptando o ensino presencial para um processo remoto emergencial. A dinâmica de alunos, professores e famílias foi alterada radicalmente e acredito que algumas mudanças vão permanecer mesmo quando a doença passar.

No primeiro texto de 2021, aproveitando o clima de resoluções para o novo ano, decidi trazer algumas reflexões como educomunicador a partir da experiência de 2020 atípico, no qual enfrentamos a maior pandemia dos últimos cem anos (pelo menos).

A ideia é ressaltar cinco tópicos que acredito serem essenciais para a discussão sobre Educação como a principal maneira de evoluirmos como cidadãos e de buscar avanços sociais relevantes.

 

Valorização da ciência

A ciência já faz parte do currículo escolar, os conteúdos conceituais ensinados nas disciplinas escolares são, de maneira geral, conhecimentos científicos. Porém, não me recordo de outro momento em que temas da ciência (como doenças, vírus, mutação, vacina, estatística, comparação histórica e até mesmo metodologia de estudos científicos) fossem tão discutidos na sociedade.

A grande quantidade de informação (por vezes contraditórias entre si) produzida pelas mídias exigiu dos indivíduos a capacidade de interpretar criticamente, utilizando o pensamento científico para compreender o contexto do coronavírus. É essencial valorizar a ciência e a construção do conhecimento a partir do método científico, evitando a negação de conceitos consolidados.

Na “educação bancária”, que vê o aluno como um local onde o professor deve depositar o conteúdo (tão criticada pelo mestre Paulo Freire e bastante presente no ensino tradicional), o pensamento científico e crítico não é desenvolvido, pois apresenta apenas o conteúdo, não a forma de pensar a ciência.

A primeira resolução para 2021 é que a ciência seja ainda mais valorizada nas escolas, com uma abordagem preocupada em ensinar o pensamento científico, não apenas os conceitos. Uma possibilidade é adotar a aprendizagem baseada em problemas ou até mesmo baseada em pesquisa científica.

 

Lado humano importa

O ensino remoto emergencial, além das dificuldades pedagógicas e de acessibilidade, trouxe o distanciamento dos alunos e professoras. A interação com os colegas de turma e de trabalho, tão essencial no ambiente escolar, diminuiu drasticamente. O resultado foi um aumento dos relatos de depressão, ansiedade, medo e tristeza.

A saúde mental dos alunos é um tema que tem sido bastante debatido nas escolas nos últimos anos, com o aumento de casos de doenças psicológicas entre adolescentes e jovens. Neste contexto de distanciamento dos estudantes (provável que o retorno às aulas continue de maneira remota), o apoio emocional deve ser reforçado. Um dos efeitos indesejados pode ser o abandono escolar.

Por outro lado, a saúde mental dos professores, na minha percepção, não é um tema tão presente nos debates sobre Educação. As condições de trabalho em 2020 foram de sobrecarga e adaptação urgente à tecnologia (escrevi um texto sobre isso), o que contribuiu para o estresse e outras enfermidades psicológicas ao final do ano.

A segunda resolução para 2021 é que as escolas coloquem a saúde mental de alunos e professores como prioridade. Construir espaços de diálogo e escuta é um caminho importante para melhorar a convivência, no meio virtual este desafio é ainda maior. Uma ação recomendada seria a inserção de competências socioemocionais nos objetivos pedagógicos do currículo.

 

Autonomia para aprender

A autonomia do aluno é outro tema recorrente na Educação inovadora. As mudanças tecnológicas na sociedade exigem cada vez mais a capacidade dos sujeitos em “saber aprender”. A escola prepara os jovens para serem profissionais e cidadãos em uma realidade atual que será bastante diferente daquela que existirá daqui a 10 ou 20 anos.

No ensino remoto emergencial, por conta do distanciamento dos professores, o aprendizado ficou ainda mais sob a responsabilidade dos alunos. Poucos estavam preparados para seguir com os estudos de maneira autônoma e isso prejudicou a aprendizagem.

O caminho para desenvolver a autonomia é implementar um processo educacional no qual os alunos sejam mais participativos, reconhecendo a sua responsabilidade sobre o próprio aprendizado. Para isso, é essencial que os conteúdos escolares tenham relação no seu cotidiano, na sua vida além da academia.

A terceira resolução é que a Educação tenha o foco no desenvolvimento da autonomia dos estudantes, fazendo-os corresponsáveis e gerando maior interesse nos conteúdos ao relacioná-los com a sua experiência pessoal fora da sala de aula. Uma possibilidade é a utilização de metodologias ativas.

 

Tecnologia no processo de ensino-aprendizagem

Talvez o aspecto mais marcante (e mais falado) da Educação em 2020 foi a utilização de tecnologias como mediadoras do processo de ensino-aprendizagem. De maneira urgente e emergencial, professores e professoras tiveram de adaptar para o ensino remoto as atividades planejadas para o presencial. (Veja como foi este processo!)

O retorno às atividades 100% presenciais continua incerto e muitas escolas falam em adotar o Ensino Híbrido, como forma de intercalar o ensino remoto com o ensino presencial.

O uso de tecnologias digitais no processo educacional é necessário, trazendo benefícios como: a flexibilidade de espaço e tempo de estudo; o letramento digital dos alunos; a obtenção de dados de aprendizagem, facilitando a personalização do ensino; e a utilização de formatos digitais para enriquecer a transmissão de conteúdo, quando houver vantagens.

No entanto, a questão principal para implementar as tecnologias digitais é a formação dos professores. Não é justo exigir uma mudança sem oferecer tempo e recursos para que os docentes possam se apropriar das ferramentas e, principalmente, das metodologias de ensino inovadoras.

A quarta resolução para 2021 é que os professores tenham maior apoio das instituições de ensino e das secretarias de educação para se capacitarem, por meio de cursos, por exemplo. Para isso, é importante que haja tempo disponível para a formação e incentivos.

 

Educação midiática

O último tópico que quero levantar neste texto é a educação midiática. Não é novidade que a internet potencializou a criação e compartilhamento de informações, aumentando o alcance e facilitando o compartilhamento. É essencial trabalhar nas escolas a capacidade de interpretar de forma crítica e ética os conteúdos das diversas mídias.

Esse aprendizado passa pela compreensão da importância das mídias de comunicação para a sociedade democrática e das características das formas de comunicação. Além disso, saber identificar as intenções e a confiabilidade dos discursos é essencial.

A utilização das mídias para a produção de conteúdo autoral pode dar mais ferramentas aos professores e alunos no processo de ensino-aprendizagem. A comunicação tem papel essencial na realização de ações de cidadania e participação social.

A quinta e última resolução para este ano é a implementação da Educação midiática nas escolas, preparando os jovens a lidar com o excesso de informação (evitando as fake news) e ampliando seu potencial comunicativo. Uma maneira de fazer isso é adotar a aprendizagem por projetos, voltada para o uso das mídias. Veja mais neste texto!

 

Foto por Danil Aksenov em Unsplash

 


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Camadas Educacionais
Henrique Uyeda do Amaral
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Henrique Uyeda do Amaral é escritor e educomunicador. Responsável pela gestão e produção de conteúdo no blog-comunidade. Especialista em educação e tecnologia, já atuou como educador, formador de professores, autor de material didático e mais.

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