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Redes sociais na educação em casa

Redes sociais na educação em casa

As redes sociais existem há milhares de anos, fazem parte da própria civilização e da cultura da humanidade de modo tão intrínseco que mal temos consciência de sua existência. Além das relações presenciais, há muito que a distância tem sido superada por mecanismos de comunicação como a escrita, os correios, a imprensa, o rádio, o telégrafo, a televisão etc.

Mas hoje, com a pandemia que está levando a humanidade a sua maior experiência em escala de confinamento das pessoas em seus lares, as redes sociais estão cada vez mais em evidência e tornam-se a principal alternativa de continuidade do trabalho profissional, dos estudos escolares e muitas vezes do próprio relacionamento familiar. 

O senso comum designa cada vez mais por este termo as redes que se desenvolvem através das tecnologias de informação e comunicação na internet (Twitter, Facebook, Instagram, Teams, WhatsApp, YouTube, Office 365, Google Drive, Wikipédia e muitas mais), além de outros ambientes de interação na web.

Sua interconexão com a mobilidade (celulares, tablets, notebooks), torna as redes sociais ainda mais em poderosos e naturais instrumentos para que a humanidade faça o que sempre fez desde o início de nossa espécie: tecer relacionamentos, físicos ou virtuais, envolvendo finalidades profissionais, amorosas, amizades, casamentos, negócios… Como isso pode ser usado na educação é algo que necessita, principalmente, de acompanhamento e engajamento proativo dos professores, que podem através desses ambientes acompanhar, mais do que nunca, como seus alunos pensam, como se expressam, e assim desenvolver e adequar suas estratégias pedagógicas. Para isso, os professores também devem incorporar o uso das redes sociais em suas práticas pessoais de relacionamento, ainda mais com todo mundo recluso em seus lares.

A forma em que as redes sociais podem ser usadas como ferramenta pedagógica – e certamente elas têm esse grande potencial, hoje praticamente obrigatório – é um grande desafio, e cabe aos próprios professores procurarem essa resposta!

O contexto está dado: as redes sociais já são usadas pelos alunos de forma intensiva e um professor que acompanhe o que seus alunos ali escrevem, que veja os interesses, os assuntos sendo discutidos, que perceba como eles se comunicam, como articulam suas discussões, será um professor que terá, no mínimo, um conhecimento ímpar de como seus alunos pensam e como interagem.

As possibilidades de uso na sala de aula em casa

Usar os dispositivos de comunicação para o ensino e a aprendizagem ainda é um grande desafio! Sem dúvida que tais recursos precisam ser usados, mas o caminho passa por inúmeras questões que não são novas mas ficam bastante agravadas com essas tecnologias. Praticamente todo o aluno possui um smartphone, várias casas têm computadores. Mas e a conectividade? Quantas famílias possuem conexão a cabo com a Internet? Qual a qualidade do wi-fi? Quanto mais multimídia o material (vídeos em especial) mais fundamental esta questão.

O uso dos celulares para a “sala de aula na casa do aluno” pode ser uma interessantíssima possibilidade ainda pouco estudada e aplicada, mas uma real oportunidade de ferramenta de ensino e aprendizagem a distância. 

É necessário pensar nas ações, nas tarefas, nos processos cognitivos envolvidos, ter uma estratégia pedagógica, seja para o uso de celulares seja para tablets ou mesmo computadores. Planejar isso considerando a integração com os momentos da vida dos alunos, atualmente (e não se sabe por quanto tempo) em suas casas.

A oportunidade de participação e envolvimento dos alunos nesse momento é extraordinária. Oferecer a eles um papel de protagonistas de atividades pedagógicas e soluções específicas tornará cada estudante um sujeito mais ativo e participante nos processos de aprendizagem, de preferência num clima de compartilhamento e colaboração com seus colegas online. Por exemplo, que tal engajar os alunos na busca de aplicativos que possam ser utilizados para mexer com algum conceito de Matemática, ou que permita o treino e a ampliação de vocabulário de idiomas? Existem muitos recursos educacionais abertos (REAs) e fazer os alunos serem auxiliares do professor na pesquisa e análise destes conteúdos já é, de per si, uma metodologia ativa.

Quando são utilizadas de forma integrada em estratégias de ensino e aprendizagem, estas tecnologias todas podem ajudar a superar o momento de crise e da distância forçada da escola. O planejamento minucioso permite que se incluam de maneira coerente as atividades e tarefas envolvendo o uso de tecnologias. As “lições de casa” devem proporcionar o uso dessas ferramentas tanto na hora da pesquisa quanto na hora de compartilhar com os colegas as dúvidas e descobertas. 

Não existem receitas prontas nem ditames a seguir. O grande desafio é justamente esse: os educadores devem se apropriar das tecnologias para pensar que usos podem fazer delas. E não ter receio de experimentar, de errar, nem tampouco cair na armadilha de acreditar em soluções prontas e mágicas!

O desenvolvimento do senso crítico é um dos esteios da educação, sem dúvida. O uso da internet e das redes sociais apenas permite maior integração e transparência das relações entre os alunos e deles com assuntos e temas de seu interesse. Cabe aos educadores aproveitar a possibilidade aberta por essas tecnologias para acompanhar mais de perto os jovens e construir, em conjunto com eles, novos processos integradores da formação crítica de cidadãos, de artistas, cientistas, profissionais, de seres humanos na mais plena acepção.

É fundamental também o engajamento comprometido dos gestores. Direção da escola e coordenadores pedagógicos devem participar ativamente na linha de frente de todos os processos envolvidos. Seu apoio, diretrizes e cooperação em todos os momentos, seja no planejamento das atividades, no incentivo ou suporte, bem como na avaliação dos resultados é fundamental para a eficácia dessas ações. Monitorando e garantindo também as condições tecnológicas (especialmente a conectividade).

Não basta ter os meios de acesso e compartilhamento, as plataformas de comunicação, armazenagem etc. É preciso focar os esforços nos processos de ensino e aprendizagem, de modo criativo e crítico, buscando aliar a inovação tecnológica, o lúdico e o motivacional.

Os desafios para o professor

As novas tecnologias de informação e comunicação são extensões do cérebro, permitem concretizar conceitos, juntar dados relevantes a informações significativas, desenvolver projetos que exijam a aplicação prática de conceitos teóricos…

Mas é necessário levar em conta que o mero uso dessas tecnologias não garante maior domínio da linguagem ou do raciocínio, não assegura a formação cultural nem o desenvolvimento de cidadãos, pois isso somente é assegurado quando há uma efetiva apropriação pelo projeto pedagógico, e esse é o desafio que torna os professores (bem como os gestores da escola) o elemento central dessa questão.

Para as tecnologias potencializarem a aprendizagem, somente se houver o engajamento dos professores e dos alunos em projetos específicos, pois não é algo que ocorra espontaneamente, a não ser em casos esporádicos. Engajar os alunos em atividades que levem à leitura e escrita, ao raciocínio, à pesquisa e à produção, seja em processos de comunicação escrita entre eles ou mesmo com alunos de outras cidades, redação de pequenos contos ou poesias, ou minirreportagens e publicação em blogs, são alguns exemplos de possibilidades que permitem que esse potencial redunde em estímulo e facilitação da aprendizagem.

É fundamental que os professores coloquem a “mão na massa”, que experimentem, que se apropriem. Sem isso, abrir-se-á um grande fosso entre eles e seus alunos, e mais ainda, entre eles e um mundo cada vez mais digital, agora de forma até forçada e forçosa. As tecnologias, disseminadas em larga escala e que estão sendo usadas até pelas classes mais carentes, devem ser pensadas também do ponto de vista dos educadores, que as usem em seu cotidiano, inclusive em sua vida pessoal, para se atualizarem, para fazerem um uso pedagógico das mesmas.

O papel do professor continua o mesmo: ele deve ser, sempre, um estimulador da aprendizagem, que saiba perceber o que se passa na cabeça de seus alunos, que identifique suas dificuldades de aprendizagem, que procure criar estratégias facilitadoras da construção do conhecimento.

A função de educar não é mais dominar todas as informações e as repassar aos alunos, mas sim acompanhá-los na pesquisa dessas informações, estimulando o pensamento crítico e autônomo e preparando-os para aprenderem a aprender.

Outro aspecto importante a considerar é que, a cada dia, mais pessoas das classes mais carentes têm acesso às novas tecnologias, incluindo internet e celulares. Mesmo a imensa parcela da população que ainda não tem acesso será incluída, com o barateamento do custo dos equipamentos e políticas de universalização. O grande desafio é desenvolver estratégias pedagógicas, atividades motivadoras e projetos que levem à construção do conhecimento, pensando-se em promover uma “inclusão cognitiva” para além da chamada inclusão digital.

 


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Camadas Educacionais
Carlos Seabra
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Carlos Seabra é editor de publicações e produtor de conteúdos de multimídia e internet, consultor e coordenador de projetos de tecnologia educacional, palestrante, autor de livros infantojuvenis e criador de jogos digitais e de tabuleiro.

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