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O que significa pensamento computacional no texto da BNCC?

O que significa pensamento computacional no texto da BNCC?

Em termos gerais, não temos uma única definição para pensamento computacional, diferentes comunidades usam diferentes formas de conceituar. Não uma referência direta no texto da BNCC – Base Nacional Comum Curricular, - o documento não apresenta as suas referências bibliográficas gerais. 

"A BNCC foi produzida a partir de grupos de trabalho constituídos de pesquisadores especialistas do campo educacional, profissionais do ensino (professores, coordenadores, secretários de educação) e membros da sociedade civil." Segundo Flôr & Trópia (2018).

 

Para um entendimento mais amplo e claro sobre o que representa a BNCC no contexto da Educação brasileira, sugiro consultar as publicações didáticas da educadora Priscila Boy, referência no assunto. Segundo Boy, em artigo publicado no guia do ensino da Gazeta OnLine 2018

"Em dezembro de 2017, foi homologada a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) da Educação Infantil ao 9° ano do Ensino Fundamental. A BNCC é um documento normativo que define o conjunto de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação Básica. A base não é currículo. Ela é o alvo, aonde se quer chegar. As escolas deverão construir os seus currículos, tendo a Base como referência."

 

Vamos agora, investigar o que temos nesse documento "alvo" sobre pensamento computacional. Quando buscamos o termo "pensamento computacional" no texto da BNCC temos 9 menções.

Vamos lançar uma lupa sobre parte dessas referências diretas...

Logo no primeiro parágrafo em que surge o termo pensamento computacional, aparentemente “anexado”. 

"Os processos matemáticos de resolução de problemas, de investigação, de desenvolvimento de projetos e da modelagem podem ser citados como formas privilegiadas da atividade matemática, motivo pelo qual são, ao mesmo tempo, objeto e estratégia para a aprendizagem ao longo de todo o Ensino Fundamental. Esses processos de aprendizagem são potencialmente ricos para o desenvolvimento de competências fundamentais para o letramento matemático (raciocínio, representação, comunicação e argumentação) e para o desenvolvimento do pensamento computacional." (p. 266).

Segundo um relatório da UFES (2019), produzido após simpósio de formação de professores de matemática.

“Outro aspecto a ser considerado é que a aprendizagem de Álgebra, como também aquelas relacionadas a outros campos da Matemática (Números, Geometria e Probabilidade e estatística), podem contribuir para o desenvolvimento do pensamento computacional dos alunos, tendo em vista que eles precisam ser capazes de traduzir uma situação dada em outras linguagens, como transformar situações-problema, apresentadas em língua materna, em fórmulas, tabelas e gráficos e vice-versa.  Associado ao pensamento computacional, cumpre salientar a importância dos algoritmos e de seus fluxogramas, que podem ser objetos de estudo nas aulas de Matemática.” (BNCC - p.269).

Avançando com a leitura, percebemos uma correlação 'indireta' com a teoria dos registros de representação semiótica, potencializando os estudos da matemática a partir de objetos abstratos, representados por linguagem algébrica, gráfica, 'língua materna'.

A BNCC ressalta que os alunos:

“precisam traduzir uma situação dada em outras linguagens, como transformar situações-problema, apresentada em língua materna, em fórmulas, tabelas e gráficos e vice-versa”. (p. 271).

 

E são também destaque na página 271, duas palavras chave para nossa compreensão acerca do pensamento computacional, sejam elas a “decomposição” e a “generalização”.  

A BNCC mostra a urgência de combinar Algoritmo e fluxograma, como vimos. Define algoritmo como “uma sequência finita de procedimentos que permite resolver um determinado problema. Assim, o algoritmo é a ‘decomposição’ de um procedimento complexo em suas partes mais simples...”. Com isso, temos a linguagem algorítmica e linguagem algébrica, segundo a BNCC, relacionando “pontos em comum” com o conceito de variável. (p.271).

Ainda na mesma página, temos outro parágrafo com destaque para as “generalizações, quando a BNCC apresenta a habilidade de identificar padrões para estabelecer generalizações. Como é destacado pelo grupo de estudos em matemática e alunos do PIBID/Matemática da Universidade Federal Fluminense.

Vídeo disponível aqui

Um olhar focado no parágrafo que esclarece mais sobre a progressão das aprendizagens essenciais do Ensino Fundamental para o Ensino Médio, pode gerar uma compreensão equivocada de que o pensamento computacional é um componente exclusivo da matemática. Como veremos adiante, isso não é bem assim. 

A área de Matemática, no Ensino Fundamental, centra-se na compreensão de conceitos e procedimentos em seus diferentes campos e no desenvolvimento do pensamento computacional, visando à resolução e formulação de problemas em contextos diversos. (p.471).

 

Parece haver uma ênfase para que o pensamento computacional possa contribuir com os procedimentos para a resolução e formulação de problemas.

A BNCC, sabemos, define uma série de competências e habilidades que permitem aos estudantes a autonomia e a apropriação do conhecimento, de modo que eles possam, por exemplo:

- Utilizar, propor e/ou implementar soluções (processos e produtos) envolvendo diferentes tecnologias, para identificar, analisar, modelar e solucionar problemas complexos em diversas áreas da vida cotidiana, explorando de forma efetiva o raciocínio lógico, o pensamento computacional, o espírito de investigação e a criatividade. (p.475).

 

Interessante nesse recorte é a abrangência que ele oferta, diferente de uma visão restrita do pensamento computacional como um componente apenas da área de exatas. 

Até porque a BNCC, por si só, não define o que é pensamento computacional. Com isso, podemos ter formas distintas de gestão e aplicação do pensamento computacional no currículo. Por outro lado, podemos dizer que ela define de forma indireta, apresentando as “propriedades” que devem conter o pensamento computacional.

Com isso, temos de ampliar o olhar e nos aprofundar em definições provenientes da comunidade acadêmica.

Por exemplo, a SBC – Sociedade Brasileira de Computação, apresenta com os Referenciais de Formação em Computação: Educação Básica, o conceito de pensamento computacional como “capacidade de sistematizar, representar, analisar e resolver problemas”. Mas isso, ainda não é suficiente. 

Junto com a equipe de desenvolvimento da ZOOM education, nos debruçamos sobre esse e outros temas interligados, para que fosse apresentada inovação na solução curricular JORNADA Z. Foram investidos mais de 35 milhões em pesquisa e desenvolvimento ao longo dos 24 anos de empresa, fator que possibilitou uma atualização dos recursos tecnológicos para multiplataforma, incorporação de eixos metodológicos complementares (STEAM, PBL, Robótica e Cultura Maker).

Para um aprofundamento ainda maior desse assunto recomendo a leitura do capitulo "Programação na Escola" (p.93-100), de autoria de Michel Metzger e contido no livro organizado pela ZOOM education O FUTURO ALCANÇOU A ESCOLA?” (2019).

Faça o download do livro aqui.

Segundo Metzeger:

"A BNCC trouxe muitas novidades e polêmicas na sua versão inicial. Apesar disso, representou um passo extremamente importante na educação brasileira. Seria melhor se ela se chamasse BNCC versão 1.0, assim permitiria imaginarmos melhorias e correções na versão 2.0, e assim por diante. Com esse enfoque, a BNCC não é um referencial acabado, mas algo que deveria estar em constante evolução." (p.98)

 

Esse texto é mais uma tentativa de organizar referenciais e pontos-de-vista do que resolver ou propor uma solução. Comente, compartilhe, promova esse debate na sua rede (network).  


Outras definições de pensamento computacional:

Cuny, Snyder e Wing (2010): "pensamento computacional é um processo de pensamento onde '... soluções são representadas em uma forma que podem ser efetivamente resolvidas por um agente capaz de processar informação', soluções estas para problemas bem e mal postos".

Barr, Harrison & Conery (2011): "pensamento computacional envolve habilidades de resolução de problemas e disposições particulares, tais como confiança e persistência ao confrontar problemas específicos".

Berland e Wilensky (2015): "pensamento computacional é a habilidade de pensar tendo o computador como uma ferramenta".

Glossário da ZOOM education (2018): “pensamento computacional é o processo de reconhecer aspectos da computação no mundo que nos rodeia e aplicar ferramentas e técnicas da computação para entender e raciocinar sobre sistemas e processos naturais, sociais e artificiais”.


 

Esse artigo foi escrito por Daniel Tiepo, pedagogo e professor de história. Especialista da ZOOM education. 

 


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Pedagogo e professor de história. Atua como especialista da ZOOM education, com experiência em cultura maker, fundador da SER consultoria educacional. Autor de material didático STEAM. Apresentador F1 in Schools. Voluntário FIRST desde 2010.

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