[ editar artigo]

Escola em casa

Escola em casa

Com o isolamento doméstico resultante da pandemia do atual coronavírus, a maior experiência do gênero, em escala e intensidade, que a humanidade já viveu até hoje, as crianças isoladas em suas casas e os professores nas deles deverão fazer a Educação à Distância dar largos passos em abrangência e popularização dessa modalidade de ensino e aprendizagem.

Os conteúdos cognitivos e as demandas de atividades (pois, mais que nunca, o aluno deve empreender o seu aprender) têm como alternativa o trabalho à distância usando dispositivos diversos (celular/tablet/notebook) em transmissões de vídeos gravados ou em tempo real, áudios, fotografias, apresentações, planilhas, textos. Os trabalhos podem ser individuais ou em grupos, sem limitações de distância e até mesmo de tempo. 

As escolas que queiram começar a se preparar devem ter em mente a necessidade de planejar muito bem o escopo, ter claro os objetivos de aprendizagem, as formas de avaliação (inclusive entre pares), que devem sempre considerar alternativas em caso de dificuldades de conexão, tanto maiores quanto mais volumoso o tráfego digital e a quantidade de usuários engajados.

Neste texto vamos abordar algumas questões pedagógicas, sugerindo 10 condições e requisitos a considerar para as atividades de aprendizagem propostas pelas escolas:

  1. Os pais não conhecem o currículo. Tudo necessitará ser fornecido para eles implementarem e acompanharem.
     

  2. A educação em casa é uma alternativa provocada pela pandemia e não uma condição permanente. A articulação com a escola é fundamental na medida do possível. Pense em um plantão de dúvidas para os pais, com a finalidade de ajudá-los nesta tarefa.
     

  3. É interessante dar responsabilidade aos responsáveis e ter um calendário de entrega das tarefas bem definido. Para melhor adequação, analise qual estrutura de conexão possui cada aluno em sua casa.
     

  4. Se os responsáveis (e os educadores) estão preocupados com os estudantes perdendo "experiências escolares", como acampamentos, visitas a museus, lembre-se que é uma situação provisória e que você poderá preparar essas visitas trabalhando previamente informações e o planejamento da atividade.
     

  5. Planeje que as atividades em casa não sejam demasiadamente longas e intercale-as com momentos de lazer. Uma estratégia interessante pode ser propor duas atividades por dia, cada uma com duas horas, uma feita de manhã e outra à tarde. 
     

  6. As atividades devem ser muito bem pensadas para gerar interesse e envolvimento com a proposta de aprendizagem, já que algumas disciplinas ou conteúdos podem ser mais maçantes quando estudados pelo aluno sozinho. É muito recomendável organizar tarefas cooperativas com outros alunos online, pois ajudará a aumentar o prazer e remover aspectos entediantes das experiências solitárias.
     

  7. Aprender pode ser divertido. Muitas crianças gostam de aprender através de atividades e jogos práticos. Pense em propor atividades como construir uma casa de pássaros na aula de geometria como estratégia para estudar medidas e ângulos, ou criar jogos de cartas para melhorar suas habilidades de leitura. Se bem planejadas, as metodologias ativas podem estar ainda mais presentes em atividades à distância.
     

  8. Pense em estratégias que permitam que os alunos sejam protagonistas do seu processo de aprendizagem. Analise seus pontos fortes e paixões, em seguida ajude-os a adaptar as atividades propostas pela escola a seus interesses pessoais e diferentes estilos de aprendizagem. 
     

  9. Assuntos que parecem sem sentido na vida real são muito mais desmotivadores para trabalhar no formato à distância. Assim, para envolver os estudantes em momentos de aprendizagem significativa, foque naquilo que é essencial e necessário. Se a BNCC já valorizava que trabalhássemos com um currículo enxuto, agora então isso torna-se fundamental.
     

  10. Complicar sua escola em casa e pressionar seu aluno só desenvolverá estresse e frustração. Foco na aprendizagem e trabalho na manutenção da educação simples. É importante que os responsáveis entendam o que está sendo proposto, mas também é importante relaxar. Aprenda a ensinar no ritmo e prazer do seu aluno. Projete sua escola em casa especificamente para o seu aluno e torne o aprendizado divertido e agradável para todos.
     

Para finalizar, levantamos a questão da importância de dois eixos na estruturação das metodologias adotadas: o uso de metodologias ativas e o trabalho com as competências socioemocionais. 

As metodologias ativas permitem colocar o aluno como protagonista de seu aprender através do fazer – algo mais essencial do que nunca na educação a distância, com todas as distrações e significações do mundo fora da escola.

As competências socioemocionais ajudam a lidar com uma situação totalmente nova, da aprendizagem a distância, que exige saber se comunicar por escrito, organizar arquivos, sistematizar seu tempo, saber se autogerir na aprendizagem, relacionar-se com colegas e professores de forma colaborativa.

 


Gostou do texto? Seja membro

Faça o login (no canto superior direito) para ter acesso a materiais exclusivos, receber avisos de novos conteúdos relevantes para você e escrever artigos autorais que serão lidos por todo o público do Camadas Educacionais.

A comunidade é mantida pela Layers Education, referência em soluções de tecnologia para as escolas. Visite o site e conheça!

Camadas Educacionais
Carlos Seabra
Carlos Seabra Seguir

Carlos Seabra é editor de publicações e produtor de conteúdos de multimídia e internet, consultor e coordenador de projetos de tecnologia educacional, palestrante, autor de livros infantojuvenis e criador de jogos digitais e de tabuleiro.

Ler conteúdo completo
Indicados para você