[ editar artigo]

Como e por que ensinar empreendedorismo nas escolas?

Como e por que ensinar empreendedorismo nas escolas?

 

Empreendedorismo como arte de resolver problemas

O ano de 2020 com certeza foi um marco em nossa geração pelos mais diversos motivos, um deles é sobre como encaramos o desafio de ensinar. O distanciamento social, o ensino a distância e a maior participação dos pais nesse ciclo abrem portas para refletirmos sobre como ensinamos, o que ensinamos e quando ensinamos. Esse "novo normal" nos provoca a refletir como preparar melhor as gerações futuras. 

Os famosos "soft skills" são e serão essenciais num ambiente cada vez mais incerto e dinâmico. Ser resiliente, adaptável e proativo lhe ajudarão a navegar melhor tanto nas situações profissionais quanto pessoais que surgirão ao longo da sua vida. É interessante notar que essas são características muito fortes em empreendedores de sucesso dos mais diversos segmentos, afinal de contas construir grandes negócios a partir de ideias revolucionárias exige muito destas habilidades. 

Senti isso na pele no começo da minha carreira profissional. Quando tive que escolher entre seguir uma carreira mais técnica e ligada à minha formação (estudei Engenharia da Computação) e uma carreira mais generalista, optei por ingressar como primeiro funcionário em uma startup. Num ambiente sem muitos processos, rotinas e com muito trabalho a fazer, todo dia tínhamos que tentar e iterar soluções para nossos desafios. Dava certo? Muitas vezes sim, muitas vezes não. Bom senso, intuição e persistência nos ajudaram a chegar lá, mas minha certeza é que com o auxílio de ferramentas e metodologias avançaríamos mais rápido e com menos esforço.

Muito bem, agora você pode estar se questionando se é possível ensinar alguém a ser empreendedor ou se essas pessoas já nascem com essa obstinação interna de construir algo, de revolucionar o status quo. Na minha opinião, diria que não existem fórmulas mágicas para criar novos Jeff Bezos, Jack Ma, Elon Musk e Mark Zuckerberg, contudo existem maneiras de apresentar conceitos e criar situações que ajudem jovens, na escola ou na faculdade, a começarem desenvolver essas habilidades antes de chegarem ao mercado de trabalho.

 

Minha experiência com Empreendedorismo em sala de aula

Nos últimos anos, tive o privilégio de participar como professor voluntário de uma disciplina optativa sobre Empreendedorismo que é oferecida em conjunto pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e a Fundação Getúlio Vargas. O objetivo do curso era estimular futuros engenheiros e administradores a criarem negócios tecnológicos usando como base uma metodologia ensinada no MBA da prestigiada Stanford University chamada Startup Garage, onde nasceram grandes startups brasileiras como QuintoAndar, DogHero e Revelo. 

Combinando conceitos de Lean Startup e User-centered Design, provocávamos os alunos a acharem problemas grandes e testarem diferentes soluções para tais. Esse tipo de matéria é bem diferente do que eles estavam habituados, possui muito menos teoria que o usual e  exige muito mais mão na massa, trabalho em grupo e dedicação extra sala para executar um projeto de negócio idealizada do zero.

Em 4 meses, com aulas semanais de 4h, eles precisavam:

  1. Identificar um problema e suas nuances

  2. Achar soluções para resolver esse problema

  3. Entender como os usuários se comportam e percebiam cada solução proposta

  4. Construir um modelo de negócio que viabilizasse essa solução

  5. Fazer um pitch para investidores reais

 

Aprendizado com a experiência

Mais importante do que o resultado final, uma boa ideia de negócio ou um protótipo bem executado, para mim o mais valioso dessa matéria era poder colocar esses futuros profissionais em situações que os ajudassem a desenvolver uma abordagem mais empreendedora para os desafios da vida deles.  

Identificar problemas, criar soluções efetivas e validadas pelos os usuários, entender a viabilidade econômica de um projeto proposto e convencer outras pessoas a "comprarem" sua ideia são os desafios que precisamos resolver diariamente na nossa sociedade, seja numa ONG ou numa empresa privada. Mas como preparar nossos jovens para que eles tenham ferramentas e experiências prévias é o que está faltando na nossa estrutura educacional atual (seja ela do nível superior ou do nível médio).

Desde de 2019, o Empreendedorismo é um dos eixos estruturantes dos itinerários formativos do Novo Ensino Médio. O desafio agora é como traduzir isso em aulas e atividades para os alunos. Espero que esse texto e as referências deixadas aqui sirvam de inspiração.

Vamos mudar o futuro através do empreendedorismo! 

 

Agradecimentos

Queria encerrar esse texto agradecendo ao Lucas Mendes por ter me convidado a embarcar nesse projeto e ensinado sobre metodologia usada em Stanford, e aos professores André Fleury (Poli-USP) e Adriana Ventura (FGV) por me permitirem vivenciar essa experiência de sala de aula tão enriquecedora e prazerosa.

 

Referências

 


Gostou do texto? Seja membro

Faça o login (no canto superior direito) para ter acesso a materiais exclusivos, receber avisos de novos conteúdos relevantes para você e escrever artigos autorais que serão lidos por todo o público do Camadas Educacionais.

A comunidade é mantida pela Layers Education, referência em soluções de tecnologia para as escolas. Visite o site e conheça!

Camadas Educacionais
Lucas Soriani
Lucas Soriani Seguir

Intraempreendedor, apaixonado por inovação e tecnologia.

Ler conteúdo completo
Indicados para você